12.11.07

Sobre Devo, Kasabian e otras cositas

Sábado, oito horas da noite. Depois de uma hora perdido em ruelas escuras próximo da Marginal Pinheiros, encalhar no trânsito do largo 13 de Maio para pedir informação a um taxista baixote, careca e meio vesgo e morrer com trinta pilas no estacionamento, finalmente consegui chegar ao nosso tão almejado destino: O festival Planeta Terra 2007, realizado na altura do número vinte mil e lá vai cacetada da Avenida Nações Unidas.

Devido a essas pequenas trapalhadas perdi o show do Pato Fu (quem disse que foi muito bacana), chegando já no início da apresentação do Instituto Racional que realmente surpreendeu a todos. Deixou uma ótima impressão em quem, assim como eu, não conhecia o projeto encabeçado pelo ex-Planet Hemp BNegão, o veterano Carlos Dafé, a cantora Negra Li, o rapper Kamau e o guitarrista Peu (ex-Pitty).

A organização do evento foi fantástica, além de escolherem a Villa dos Galpões para realização do festival (lugar muito bacana e cujos galpões antigos com vidros quebrados conferem um ar meio junk ao espaço, desde a segurança, localização da praça de alimentação, até a higienização dos banheiros foi perfeita. O destaque também ficou para os lambe-lambes, criados pelos próprios pagantes e colados por uma equipe em diversos pontos espalhados pelos galpões.

A única mancada que presenciei não foi proporcionada por ninguém da organização, mas pelo nosso querido punk-de-butique-com-sérios-problemas-de-auto-afirmação, o Supla. Algumas garotas pediram uma foto para o cara que respondeu na lata, curto e grosso: “To aqui para assistir o show!”. Não entendo muito bem esse povo famoso, passam a vida querendo ser reconhecidos, quando o são reclamam por não conseguirem passar despercebidos.

Enfim, deixando isso de lado, dos shows mais esperados da noite, o Cansei de Ser Sexy fez uma apresentação bacana, com uma Lovefoxxx com uma postura de palco bem diferente daquela que tocou no Brasil há 18 meses pela última vez. Agitaram o Indie Stage com suas músicas mais conhecidas e ainda apresentam uma nova canção intitulada “The Beautiful Song” que agradou o público.

Com uma apresentação impecável, The Rapture fechou as apresentações do palco Indie. Os hits “House of Jealous Lovers” e “Get Myself Into It” colocaram toda a platéia para dançar. O grupo foi o único do espaço a voltar para um bis: uma versão sem pausa das músicas “First Gear” e “Olio”.

No Main Stage, Lily Allen subiu no palco totalmente breaca, portando um microfone verde-limão esquisito. Fez um show lastimável e deixou a dúvida se realmente não tem voz ou se estava apenas afetada pelo excesso manguaça. Eu voto nas duas opções.

Quem realmente surpreendeu foram os tiozões do Devo, que estão muito melhores que há vinte e poucos anos atrás. Vestidos com o tradicional uniforme amarelo e seus chapéus vermelhos, os cinqüentões abriram o set com a clássica “That's Good”. Depois, mandaram uma seqüência com os hits “Peek-a-Boo!”, “Girl U Want”, “Whip It!”, “Secret Agent Man’, “(I Can't Get No) Satisfaction”, “Uncontrollable Urge” e “Mongoloid”. Toda a platéia chicoteava o ar no refrão de “Whip It!”. Já em “Mongoloid” - música que ganhou uma releitura do Sepultura - Mark animou os fãs com dois pompons vermelhos, como se fosse uma cheerleader endiabrada. Faltou só “Time Out for Fun”, mas a gente perdoa, afinal eles provavelmente poderiam ter um ataque cardíaco se continuassem a gritar e pular.

Um fato que chamou atenção de todos que assistiam o show foi Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, subindo no palco e surrupiando um dos uniformes amarelos para o marido enquanto um segurança tentava tirá-la de lá.

Vou admitir que fiquei com dó do Kasabian, fechar um festival depois do show do Devo não deve ter sido fácil. Ainda mais se estavam tão chapados quanto pareciam. Acredito que para a maioria do público que foi lá para assistir a banda inglesa saiu decepcionado. O show foi super monótono, com uma performance caricata de Tom Meighan usando um chapeuzinho coco no estilo Clockwork Orange.

A banda iniciou ao som de “The Ecstasy of Gold”, do maestro italiano Ennio Moriconne, o que foi uma promessa de uma grande apresentação. Logo em seguida engredou “Shoot The Runner”, um dos singles do ainda inédito disco no Brasil Empire, mas soava tão afetado que sequer parecia a mesma banda que havia gravado o disco. Parecia mais um cover mau ajambrado deles mesmos. Reason Is Treason, sucesso do álbum de estréia do grupo, saiu quase irreconhecível, assim como quase todas as outras músicas do set list dos caras que deixaram seu maior hit, “Processed Beats” para a parte final do espetáculo.

Agora, se você teve a estranha impressão de cruzar com alguém conhecido no meio do público durante o show do Kasabian, provavelmente está certo. Lily Allen assistiu toda apresentação de seus compatriotas do meio da platéia, quase imperceptível. Foi engraçado ver quem ao seu lado lançar um olhar assustado e meio descrente de que seria realmente ela ali de saia e Havaianas.

Coisas de inglês.

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