15.11.07

O Maioral

Sempre gostei mais do lado negro da força. Darth Vader ao invés do Mestre Yoda, Mulher-Gato ao Batman, Spock Gêmeo Malvado do que o gêmeo bobão, Hulk Hoogan contra Ted Boy Marino. Não adianta, o vilão é sempre mais interessante que o herói.

Obviamente isso era um pé-no-saco quando só existiam duas classes de personagens nos quadrinhos: os heróis bonzinhos repletos de problemas emocionais que afetavam grandemente sua sexualidade usando cuecas para fora das calças ou os vilões. Esses últimos, párias incompreendidos que só se fodiam. Não adiantava torcer por eles, era batata que no final da história iam acabar apanhando, por mais que isso seja o avesso da realidade, onde quem sacaneia o próximo sempre se dá bem.

Há uns vinte anos atrás a coisa começou a mudar para melhor. O sarcasmo e a ironia tomaram conta dos quadrinhos dando origem a novos personagens: os anti-heróis, muito mais bacanas, que não eram vilões comunistas comedores de criancinhas, mas tão pouco eram mocinhos conservadores pregando a virgindade antes do casamento. Nesse meio ganharam destaque rostos novos como John Constantine, Spider Jerusalém, Guy Gardner e ele, o maioral: Lobo.

Virei fã do maior caçador de recompensas da galáxia logo quando o conheci em 1991 nas páginas da falecida DC2000, mais especificamente nas histórias da L.E.G.I.Ã.O., uma espécie de polícia galáctica sob o comando de Vril Dox, um alienígena de pele verde e cabelo loiro. Seu estilo meio headbanger, cabelo comprido, jaqueta jeans com a escrita “Bite Me, Fan Boy”, correntes e coturno, contrariavam a estética dos personagens da época, com seus colantes esquisitos e pega-rapaz. Algo parecido aconteceu em Sandman, com o estilo gótico de Morte e Morpheus.

Na verdade, Lobo já havia aparecido antes, na revista Omega Men (acho que nem chegou a sair por aqui), bem diferente em sua roupa e origens, um velorpiano de cabelos roxos e colante roxo com amarelo. Ganhou o visual atual, inspirado na banda Kiss, quando foi reformulado para as páginas de L.E.G.I.Ã.O., a grande responsável pela popularização d’O Maioral. Atualmente, após a mini-série “Lobo Unbound”, seu design foi aperfeiçoado para aproximar-se do cantor/diretor Rob Zombie, da finada banda trash White Zombie.

Bem no começo de carreia como caçador de recompensas intergaláctico, ele quase nem aparecia, fazia apenas uma ou outra ponta, mas o seu jeito canalha e desbocado amealhou fãs, o que rendeu a mini-série publicada ainda em 1991: “Lobo: O Último Czarniano”, que narrava uma história solo do psicopata preferido dos quadrinhos, contando como ele exterminou toda sua espécie para ter o prazer de ser o único sobrevivente. Ninguém pode negar que ele tinha personalidade própria, não é?

Daí para frente a coisa deslanchou para Lobo, saiu na porrada com quase todos os grandes nomes da DC, desde Superman ao Batman, Judge Dreed e tantos outros, morreu, foi ao inferno, detonou o capeta, foi cuspido para o paraíso e quebrou tudo e todos por lá. O cara fez tanto sucesso que lhe rendeu até uma série própria e em uma ocasião especial arrebentou o Papai Noel em “The Lobo Paramilitary Christmas Special”, mini-série motivo deste artigo enorme.

Essa mini-série nem é a de maior destaque de Lobo, mas sabe-se lá por que lhufas, uma cambada de nerds psicóticos da Americam Films Institute, com muito tempo, fizeram um curta-metragem inspirado em seu roteiro. O vídeo, que eu desconhecia até ontem, foi ao ar em 2002 na Comic2Film. Não é um primor de produção, mas a caracterização de Lobo é muito bacana e os outros personagens, principalmente o coelho da páscoa, lembram um pouco os cangurus de “Tank Girl”.

Como não tinham grana, os produtores tiveram um pouco de dificuldade com o cenário. Por exemplo, a arma gigantesca de Lobo virou uma pistola semi-automática, coisa totalmente perdoável para quem viu a qualidade da adaptação, melhor que muita obra hollywoodiana que circula por aí.

Pelo que li na internet, até o advento do milagreiro YouTube, era muito difícil conseguir assistir ao filme, pois ele não tinha autorização da DC Comics para circulação. Mas agora é possível encontrar até a versão legendada que você pode conferir abaixo em duas partes. E se resolver reclamar da qualidade da película, lembre-se da frase: “Ninguém difama o Maioral. Não se quiser manter as entranhas do lado de dentro”.


1 comentários:

filomeno2006 disse...

O maioral = O Virginiano