Sei que é cuspir no molhado, mas não canso de repetir que adoro morar em São Paulo. Não apenas pela contemporaneidade que a cidade expressa em cada esquina, tanto no Centro Velho repleto de mendigos, com sua decadência urbana necessária que subversivamente embeleza grandes metrópoles - o lado negro da força - quanto nos Jardins e sua prosperidade exacerbada, responsável pela renovação dos costumes de quem habita esse lugar que é muito mais que trânsito e poluição.
O que me prende a São Paulo são seus espaços. A imensa quantidade de lugares bacanas que a cidade proporciona a quem corajosamente a desbrava. Desde os pequenos e aconchegantes cafés escondidos em galerias e bairros residenciais, aos mega complexos empresariais onde milhares de pessoas bem vestidas entram e saem diversas vezes ao dia, impassíveis, perdidas em seus próprios pensamentos. Cada um com seus próprios espaços secretos (ou não) espalhados pela teia de ruas e avenidas que constituem O lugar.Um desses espaços, desses que chamo de meu, secreto, mas nem tanto, é a Choque Cultural, uma galeria de arte que namora a cultura underground impregnada em cada parede que compõe São Paulo.
Nada na Choque é costumeiro ou conservador. O projeto serve como uma ponte que liga as manifestações e intervenções que surgem pela cidade ao restante da sociedade, uma espécie de plataforma para artistas vindos de outras praças, como o graffti, o design gráfico e a tatuagem, que não encontrariam espaço no circuito da arte mais certinho e apegado as regras. Lá se encontram os trabalhos de nomes como Silvana Mello (para quem não reconhece o nome, a moça também foi vocalista da banda Lava), e dos grafiteiros Speto, Highraff e Zezão (que ficou conhecido pelas suas incursões artísticas nos esgotos paulistas) e muitos outros artistas que não fazem um trabalho nem um pouco convencional.
O projeto Choque Cultural foi fundado por Mariana Martins, filha do pintor Aldemir Martins, Baixo Ribeiro, e Eduardo Saretta e surgiu como uma editora, com edições limitadas, numeradas e assinadas de posters, livros, stickers, brinquedos e outros objetos colecionáveis. Só mais tarde veio a galeria e suas primeiras exposições coletivas, como a Calaveras, a Catalixo e a Erótica que definiriam os rumos que a casa tomaria.Desde sua fundação em 2004, suas paredes estão sempre repletas de cores e formas, estilo que atraiu muitos admiradores e abriu de fato uma nova frente de negócios envolvendo a arte feita por jovens e para jovens. Em três anos de existência a Choque tornou-se a principal referência quando o assunto é arte underground, vanguarda, graffiti, tattoo, cultura pop, street art, arte urbana, low Brow, etc., motivos a transformam em um dos espaços mais criativos da cidade.
Galeria Choque Cultural
Rua João Moura, 994 – Pinheiros
Fone: (11) 3061-4051
Site: http://www.choquecultural.com.br/
1 comentários:
preciso conferir a japan pop show por lá... bem lembrado.
abraço! tudo de bom!
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