28.8.07

Embrioma

Mais de 60.000 plays no Myspace, 20.000 visualizações do videoclipe no Youtube, 7.000 membros da comunidade no Orkut. Esses são os números que precedem o nome do Embrioma, banda paulista que vem ganhando destaque na cena underground com seu Metal Industrial e hoje é a prova da grande ferramenta que a internet proporciona para divulgação independente.

Além do espaço conquistado através da web, seu debut “The.Demention.Frequency.Projekt”, lançado no final de 2006 foi elogiado em diversos veículos da mídia especializada como o site Hornsup e a revista Roadie Crew. Pouco tempo atrás bati um papo com André Rival, vocalista da banda e o resultado você confere aí embaixo:

Já rotularam o Embrioma como New Metal, o que joga a banda no mesmo balaio que o Linkkin Park, por exemplo. Mas dá para ver muita influência de bandas como Meshuggah e Fear Factory. Como vocês classificam o próprio som?

Cara, nós temos influências que vão desde o trash melódico até o famigerado “new metal”, além de influências eletrônicas e músicas pop. Sim, pop. Não temos vergonha de falar isso, pelo contrário, acho que pra se ter um bom ouvido para música você deve ouvir boa música, independente do estilo. Não seria surpresa nenhuma você encontrar no carro de algum integrante CD´s do Nevermore, Pantera, Ozzy, Dave Mathew's Band, Rammstein, e por aí vai. Sendo assim é inevitável que cada integrante coloque uma pitada do que gosta nas músicas. É óbvio que sempre procuramos colocar nosso som em uma direção, senão teríamos uma salada das mais diversas vertentes da música, mas procuramos não nos prender à um determinado “estilo”. O que todos nós sabemos é que queremos fazer música pesada, agressiva e que acima de tudo tenha vida. Isso pra nós é o mais importante. Esse lance de ficar segregando os estilos de música só acontece aqui no Brasil, lá fora isso é muito mais “enxugado”. Se fosse definir o nosso som como um “estilo” acho que seria algo como um Death Metal Industrial. Death pelas pegadas rápidas e densas da maioria das músicas e Industrial pelos elementos eletrônicos que presidem nas mesmas.

Vocês lançaram no final de 2006 o EP The.Demention.Frequency.Projekt e desde então estão divulgando-o, mas sempre dentro de SP. Qual a dificuldade para se projetar para fora da cena exclusivamente paulista?

Até pouco tempo atrás tínhamos bastante procura de shows para rolarem no Interior de São Paulo e em cidades de outros estados também, como Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Rio de Janeiro, etc. Mas, ficaram apenas em convites que não deram em nada, aí nesse primeiro semestre decidimos ficar um tempo aqui pela capital mesmo tocando o máximo que pudéssemos, e agora com a entrada do segundo semestre do ano, vamos voltar nosso foco pra fora da cidade e do estado se possível. Mas a principal dificuldade tem sido com a organização dos eventos arcarem com as possíveis despesas que a banda possa a vir ter. Ultimamente não temos cobrado cachê, pedimos somente uma ajuda de custo para que possamos ao menos chegar ao local do show e levar nosso equipamento do qual não abrimos mão para poder apresentar um show com o mínimo de qualidade para o público. Acho que quando você vai a um show de uma banda que você gosta, isso é o mínimo que podem oferecer, um som com boa qualidade.

Lá fora existe um grande espaço para bandas com um som mais pesado. Isso já é realidade no Brasil ou ainda o público por aqui é restrito?

Som pesado no Brasil nunca foi realidade. Já foi um dia pra bandas como Sepultura, Angra, Shamman que são bandas de mainstream. Nós estamos ainda no nimbo do underground (risos). Por isso ainda dependemos de um público que é restrito sim, que só conseguimos contatar por meio da internet, etc. É um público que normalmente comparece na maioria dos shows, que gosta ou está envolvido com o meio underground.

Pouco tempo atrás vocês abriram para a banda de metalcore alemã Caliban. Como rolou o convite?

Sim, foi uma grande oportunidade. O Marcos da Liberation Records, postou no site da Lib que estavam à procura de bandas novas para integrar o line-up que iria abrir o show da banda straight edge Maroon da Alemanha também, pois o público estava reclamando de verem sempre as mesmas bandas abrindo para os gringos que tem vindo com certa freqüência pra cá. Então Gildo “Jacó” responsável pelo selo Midiacaos do qual fazemos parte, entrou em contato com o Marcos e disse que havia interesse em participar do evento. O Marcos, que já vinha acompanhando nosso trabalho a um tempo, cedeu o espaço para nós. Infelizmente a tour do Maroon foi cancelada, mas foi aí que veio a boa notícia, que por esta tour ter sido cancelada, nós abriríamos o show da próxima banda que estava para vir, o Caliban. Foi uma oportunidade única e que vamos guardar na memória, por vários motivos. Primeiro por termos sido a primeira banda de metal industrial a integrar o line-up de um evento da Liberation, segundo pela receptividade do público que surpreendeu à todos nós e terceiro por termos tido a oportunidade de abrir para uma banda de renome internacional e ainda poder tomar umas brejas com os caras no hotel após o show. Inesquecível.

Já disseram que o som da banda poderia ser mais bem aproveitado se fosse um álbum de longa duração. Já existe algum novo projeto?

Sim, já ouvimos isso várias vezes. Mas a intenção desse EP era exatamente essa, um cartão de visita nosso que instigasse as pessoas a quererem ouvir mais. Acho que funcionou (risos)! Esta semana entramos em estúdio novamente pra começar a trabalhar as idéias das novas músicas e fazer uma pré-produção do novo disco full-lenght, que deverá ser lançado até o final do primeiro semestre de 2008.

O lançamento de um álbum da maneira convencional, com cd, encarte e tudo mais ainda é essencial para o trabalho de uma banda ou hoje a internet já supriu esse espaço antes controlado pelas gravadoras?

Essa é uma discussão infindável, que rola quase sempre entre nós mesmos da banda. A internet tem tomado conta do mercado fonográfico, mas isso tem acontecido de duas maneiras diferentes. A primeira é a forma consciente, que não existe no Brasil, somente na gringa. A maior parte do público baixa as músicas na internet, mas depois acaba comprando o CD, ou seja, existe um respeito para com o artista. Experimente ir a algum fórum de alguma banda gringa e pedir para passarem o link para o download do CD. É capaz de xingarem até sua terceira geração. Muitas vezes nem a letra de música passam. Falam pra comprar o CD. No Brasil é diferente. As pessoas não pensam que para aquele álbum ficar pronto, foi gasto uma boa grana e muitas vezes que saiu do próprio bolso do artista independente, como nós. É claro que existem outras questões como o valor altíssimo dos CD´s, a atual situação econômica do país, etc., enfim, é uma bola de neve que está crescendo a cada dia que passa, porém o pedaço de plástico redondo ainda é necessário. Já para o Embrioma a Internet tem funcionado como uma ferramenta de divulgação da banda. É assim que conseguimos conquistar mais de 7 mil pessoas na nossa comunidade do Orkut, termos mais de 60 mil plays nas músicas no myspace.com e mais de 20 mil plays do clipe de Dementia[bullets] no youtube.com. Mas a gente ainda quer mais (risos).

Vocês inauguraram um estúdio, o The Pit, para ensaio e gravação. Quando surgiu essa necessidade de ter um estúdio próprio?

Na realidade desde o início da banda o guitarrista Danílson Farisato já tinha o estúdio The Pit, mas que teve de ser fechado por reclamações da vizinhança. Por que será (risos)? Passamos o ano de 2006 inteiro praticamente sem estúdio, mas boa parte deste tempo foi tomada com a gravação do EP que foi realizada no estúdio C4. A necessidade de ter um estúdio próprio é obvia se for pensar em levar a banda com profissionalismo. Horas e horas de ensaio, reuniões e correrias. Por isso este ano resolvemos reabrir o estúdio The Pit em outro lugar, mas próximo à localização do antigo estúdio. Agora temos uma sala muito maior que a antiga e equipamentos melhores também. Lá agora é nosso QG e será lá que faremos a pré-produção do novo trabalho.

Vocês mudaram de manager recentemente, agora estão com a Nayla Paschoa que reside fora do país. Estão tentando uma projeção internacional?

Sim, a Nayla Paschoa está nos ajudando a poder dar o próximo passo, que é tentar uma tour ou alguma oportunidade fora do país. Estamos trabalhando contatos, e divulgando o EP o máximo que pudermos, para quem sabe este plano dar certo. Em breve já teremos nosso primeiro trabalho sendo vendido nos EUA por um esquema próprio de distribuição independente por lá, enquanto ainda não tivermos um contrato bom com algum selo americano cuidando disso. Estamos na correria!

Além do Embrioma os integrantes mantém outras atividades e projetos paralelos ou vivem exclusivamente para a banda?

Não, todos temos projetos paralelos. O Embrioma infelizmente ainda não é auto-sustentável (risos). Alguns ainda têm sua atividade voltada pra música, outros não. Eu, por exemplo, sou designer digital, o Dektri (tecladista) que é administrador de redes e o Detox (baixista) que é formado em educação física. O Danilson é publicitário e possui o estúdio The Pit em parceria com o Leandro Figliolia, ambos guitarristas e professores particulares de guitarra. Leandro também dá aula de guitarra em uma escola de música, assim como Bob Smith que é professor de bateria em uma escola também.

Obrigado pela entrevista. Para finalizar fale um pouco sobre seus projetos futuros e suas considerações finais.

Nós que agradecemos a força e a oportunidade de mostrar nosso trabalho! Para o futuro próximo (primeiro semestre de 2008) aguardem pelo nosso novo álbum que com certeza vai surpreender muita gente! Podem esperar por que vem porrada à vista. Procure pela comunidade do Orkut, fotolog, etc. e confira nossa agenda de shows. Nos veremos em breve!

Para conhecer mais acesse http://www.embrioma.com/ e ouvir as músicas www.myspace.com/embrioma. Agora confira o clipe dos caras.


1 comentários:

Michilizzi disse...

Po, Embrioma é uma banda foda e cresceu "do nada" nos últimos meses! Os caras merecem! Mandam bem e fazem um som diferente que não é de costume em boa parte do Brasil. estou ansioso pelo novo álbum!

Sucesso a eles!