31.7.07

Não funciona

Quando era moleque eu tive um fanzine. Juro para vocês. Era voltado para divulgar bandas punks obscuras, daqueles feitos em papel sulfite fotocopiado e grampeado, com imagens sobrepostas coladas ou desenhadas diretamente na folha. Se me lembro bem ele chegou a ter umas nove ou dez edições até que finalmente cansamos de pedir grana para os nossos pais e torrar com isso.

Só para os pais, não. Pedíamos dinheiro para todo mundo, desde o dono da padaria, Seu Gumercindo, até para Dona Laís, proprietária de uma digníssima banca de jornal. Não era mole. Depois de praticamente implorar uns tostões ainda saíamos à cata de “matérias” numa época que o deus da informação (três vivas ao Google!) nem engatinhava, tentar diagramar o troço o melhor possível e bolar um esquema de distribuição via correio. Para uma brincadeira de adolescente dava muito trabalho, pode acreditar.

Eis que dia desses, enquanto caminhava descompromissadamente pela Paulista dou de cara com um maluco passando pela mesma roubada, distribuindo um fanzine, melhor, uma revista de poesia chamada Não Funciona em troca de três paus a edição. Nem hesitei, em pouco menos de dez minutos estava me esbaldando nas páginas muito, mas muito melhor diagramadas que do meu pobre protótipo.

Material de qualidade, impresso em gráfica, com ótimo conteúdo produzido pelos próprios colaboradores. Os textos variam de poemas curtinhos de quatro versos até crônicas de página inteira. Tudo coletado, compilado e organizado pelo coletivo Poesia Maloqueirista, formado por uma galera que se amarra em literatura e, principalmente, em constestação.

Para manter a publicação eles correram atrás e conseguiram apoio de diversas entidades e da Prefeitura de Sampa. Doaram não sei quantas mil edições para não sei quantas bibliotecas e escolas municipais, levando opiniões, debates e contestação para quem quiser e se interessar. Tudo isso sem nenhum real de lucro. Suor de camisa sem fins comerciais, você encara?

A grande dificuldade de um projeto como esse é o tempo, já que a publicação tem de ter uma periodicidade mais ou menos regular, o que muitas vezes obriga os partipantes a perderem noites de sono para fazer uma edição acontecer. Sem esquecer que eles precisam trabalhar, estudar e tem outras atividades como qualquer um. Aí que está o mérito da coisa, mesmo que não fosse uma boa publicação (e eu garanto que o é!) a revista Não Funciona, atualmente na nona edição, já teria todo o valor especial por ser construída por pessoas que acreditam na idéia.

E ainda hoje, dia 31 de julho, rola no Espaço Parlapatões, na praça Roosevelt em Sao Paulo, o lançamento da edição 10 da Não Funciona à partir das 18:00 horas.

Para quem se interessou pelo projeto da Não Funciona e quer acesso ao material, acesse o blog do coletivo no endereço: http://poesiamaloqueirista.blogspot.com/

4 comentários:

B. disse...

mamãe nunca te disse pra ñ aceitar coisas de estranhos?!

edu disse...

Você é realmente uma antena de novidades, moço!

Anica disse...

Eu também já tive um fanzine XD
Chamava-se "Skarcéu" e era basicamente sobre... Ska. =F

danusia disse...

eu também tinha um fanzine!!! ^^ só que o meu era sobre metal. =)


obrigada pelo linque, darling. vou te adicionar no hipermoderna também. que bom que ta adorando ele!!! fico feliz! =D

bisoubisou