1.2.08
29.1.08
Raça das Trevas
Anos atrás caiu na minha mão uma edição gringa de Cabal, um puta-mega-tera-hiper-fodástico livro do Sabe como é quando pegamos um livro de um autor que desconhecemos, ou seja, fui cheio das desconfianças e com os dois pés para trás... só para cair de queixo no chão. Acabou se tornando uma das melhores histórias de terror que já li, daquelas que indico para todo mundo, faço festa e blábláblá.
A história é bem simples, daquelas que "putz, por que não pensei nisso antes", mas de uma sacada fenomenal: O über zé-ruela Aaron Boone é atormentado por pesadelos onde monstros caminham num lugar chamado Midian, uma cidadela no subterrâneo. Como o cara já era meio pancada, freqüentava o consultório psiquiátrico do Dr. Philip Decker, que o convence que ele, o über zé-ruela, é responsável por uma série de mortes, embora ele não se lembre de nada disso.
Após mais uma assustadora visão, o rapaz então decide fugir do hospital e seguir para Midian, conhecido como "o lugar para onde os monstros vão" e "o lugar onde os pecados podem ser perdoados", e outros chavões-tipo tipo esses. Chegando lá o cara descobre que é uma cidade fantasma, vai até o cemitério, encontra uns dois monstrengos, leva uma mordida, foge do cemitério, dá de cara com a polícia (o fio-da-puta do psiquiatra que era o psicopata tinha chamado a polícia para tirar o seu da reta), leva uma porrada de tiro, se fode e morre. O legal? Ele vai para Midian, quando está na autópsia, ele levanta e sai andando.
A namorada do cara o segue e chega a Midian, quase se fode, ele a salva, o psicopata os segue, a polícia e a populaça invade, o deus-monstro encarrega o zé-ruela master de achar uma nova Midian para os feiosos, já que ele fodeu tudo trazendo os homi. Então eles saem caminhando sempre de noite atrás de um Monster's Cafofo novinho em folha. Só que tudo isso contado de uma forma sinistra, criativa, bem narrada e convincente.
Fiquei tão ligado na história que logo descobri que a Marvel havia lançado uma mini-série em 10 edições sobre o livro, chamada Nightbreed ou Raça das Trevas na versão brazuca. Obviamente corri atrás de todos os sebos que conhecia, torrei uma fortuna e descolei todos os exemplares, só para descobrir que acabava pela metade, pelo simples motivo que algum editor cuja mãe não é uma mulher séria, decidira que lançar as 25 edições originais não tinha necessidade, ou seja, me fodi e fiquei com a história pela metade.
Eis que, lá na distante década de 90, mais exatamente em 1998, estou eu de bobeira e meio bêbado assistindo televisão, quando a vinheta do Intercine anuncia um filme de terror dirigido por quem? Quem? Ele mesmo, a possa do
Quase me caguei todo, corri lavar a cara, preparei um café para curar o porre e fiquei esperando o filme que foi uma verdadeira bosta. Então qual maldito motivo de escrever todo um texto enorme?
Por quê, apesar de o filme ser um lixo completo desde a direção, passando pelo ator principal até o último contra-regra, foi um dos melhores filmes B que já assisti em toda minha vida, apesar de ele ter sido filmado como A. Está tudo lá, o catchup, os gritos histéricos e o humor tosco. O filme segue mais os quadrinhos do que o livro na verdade, incluindo toda caracterização dos personagens. Para quem gosta desse tipo de produção é uma verdadeira obra de arte. A merda é que era para ter uma continuação que foi cancelada pelos diretores da FOX na hora que viram a cagada que tinham feito: gastaram 20 milhões e lucraram apenas 7.
Segunda vez que fiquei sem um final...
Existe um lugar onde a dor termina...
Um lugar onde o arrepiante beijo da noite traz a absolvição
Vida cintilante em sombras torturas
Um lugar para onde os monstros vão.
- Tradução Livre de Trecho Foda -
28.11.07
Velho Safado
De todos os malditos, Charles Bukowski talvez seja o mais pop.Agora, antes de ser xingado, apedrejado e consequentemente morto, deixe-me explicar a tal afirmação blasfema. Não quero dizer que Bukowski seja popular como uma leitura fácil e/ou comercial, e sim que é um dos autores da geração beat mais procurados nas livrarias. Suas homéricas bebedeiras, as diversas mulheres (que deram até nome a um de seus livros) e a vida semi-nômade que levava sempre atiçaram a curiosidade das pessoas.
Apesar dessa ótima repercussão ter dado ao autor várias publicações de grandes editoras brasileiras, pouco se conhece do lado poeta do escritor de Hollywood, Pulp e Factotum. Seis obras já haviam sido publicados no Brasil: a coletânea bilíngüe “Os 25 melhores poemas de Charles Bukowski” pela Bertrand, “Hino da Tormenta”, “Tempo de vôo para lugar algum”, “Vida desalmada”, “À toa em San Pedro” pela independente Spectro Editora e “Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém” pela editora 7 Letras.
Eis que ontem, circulando descompromissadamente pela Cultura, dei com as fuças com uma edição recém-lançada pela LP&M de "Amor é um Cão dos Diabos" (Love is a Dog From Hell), seu livro de versos mais conhecido escrito entre 1974 e 1977. A obra é inspirada nos relacionamentos retratados no romance “Mulheres”, sendo que ambos títulos foram publicados quase ao mesmo tempo. Tem 304 páginas e custa 35 pilas, com uma edição bem bacana (não é pocket) e tradução bem legal. Se você gosta de Bukowski corra, essas edições costumam virar raras rapidinho.
Eu já garanti o meu.
Mudando de assunto, como o assunto de hoje é literário, vou divulgar um novo fórum sobre o tema. Um lugar bacana, desenvolvido por gente bacana e com usuários bacanas falando sobre assuntos bacanas. Para bom entendedor, meia palavra basta.
27.11.07
Teclas Brancas
Falei por cima do novo álbum da Polly Jean neste post aqui. Disse que a ex-mocréia não ficou totalmente satisfeita com “Uh-Huh Her”, seu último disco de estúdio e que resolveu apostar em sonoridades diferentes em um novo trabalho que levou o título de White Chalk, por usar e abusar das teclas brancas do piano, foi produzido em conjunto com John Parish e blá-blá-blá.Depois de um longo e tenebroso inverno tive oportunidade de escutar o tal disco da moça com mais atenção, para concluir que se não é o melhor de sua carreira, com certeza é o mais intimista e renovador, já que é totalmente contrário ao que qualquer fã esperaria da cantora e suas guitarras distorcidas, sons eletrônicos e voz rasgada. O que é ótimo, afinal é sempre bom ver algo de novo no front, ainda mais quando esse “algo de novo” é algo inesperado e bom.
O disco tem uma aura sombria pairando sobre ele, explicitada na capa que traz estampada uma Polly Jean Harvey toda de branco em um fundo negro que parece querer engoli-la, seu ar melancólico foi inspirado no quadro “White Girl” do pintor James Abbott McNeill Whistler de 1861. As canções seguem no mesmo ritmo, procurando isolamento, como em “Silence” que se desliga de toda sua família e até de si mesmo.O álbum também traz composições que remetem à infância da moçoila, como em “Grow Grow Grow”, onde cria uma distante imagem de sua mãe e em “To Talk To You”, a faixa mais triste do universo, em que a cantora tenta sem sucesso um contato com o avô. O primeiro single do disco é também sua música mais marcante, “When Under Eter”, fala sobre uma pessoa em coma em versos que arrepiam só de imaginar a situação: “a mente está viva, mas sem consciência de nada, ela quer sobreviver”, deu para entender o contexto, não?
Polly Jean excluiu quase que totalmente seu “lado rock” desse novo trabalho, optando por uma mistura de uma sutil bateria quase imperceptível ao fundo e instrumentos como piano, gaitas, harpa e banjo. Mas, apesar de todas as diferenças com tudo que produziu até hoje, em White Chalk continua presente a intensa carga emotiva despudorada que a acompanha, claramente perceptível no grito agudo e espalhafatoso da música “The Devil”.
No final de seus poucos mais de 30 minutos o ouvinte percebe que a essência não se perdeu, foi aprimorada.
23.11.07
This room is fuckin’ evil
Rápido! Faça de cabeça, pegando as primeiras opções que ocorrerem, um top five maneiras horrorosas que tenho medo de morrer.Já fez??? Tenho certeza que pelo menos quatro opções estão presentes em "1408". Dá só uma olhada na lista: medo de morrer queimado, afogado, congelado, degolado, enforcado, emparedado, com o pé sendo puxado por um zumbi-desdentado-bizonho dentro da tubulação de ar condicionado. Estão todas lá, não necessariamente nessa mesma ordem, mas estão.
Concordo que é inevitável a comparação de “1408” com “O Iluminado”, por vários fatores, como se passar um hotel esquisitão, ter um personagem principal esquisitão, ser baseado em uma história esquisitona de Stephen King, que por si só é muito esquisitão. Mas, tente abstrair e esqueça todas essas coincidências esquisitonas, afinal, “O Iluminado” é “O” filme de suspense, sendo até injusto julgar qualquer outro pelos parâmetros do longa-metragem de Kubrick.
“1408” é sim um filme bacana que tem seus pontos fortes. Não é uma obra-prima do cinema, mas é melhor que muita porcaria lançada por aí (leia Jogos Mortais I, II, III, IV, XX e por aí vai). Entretanto, não pense que ser um filme legal se deve à história (Stephen King não escreve nada que preste há 20 anos) ou a uma direção extraordinária de Mikael Hafström (mais perdido que cego em tiroteio), mas sim a atuação de John Cusack que salva o filme de um naufrágio em um falso final bizarro e totalmente desnecessário.Cortando em miúdos, como só o bom e velho Jack faria, Cusack encarna Mike Enslin, um escritor que após um livro de estréia excelente, perde a filha, detona o casamento, sai de casa, fode com tudo e afunda sua carreira escrevendo guias sobre lugares mal-assombrados. A velha história do cara bacana que se torna um ególatra chafurdando em autocomiseração.
Quando parece que a vidinha dele vai continuar na mesma pelos próximos 20 anos, TCHAN-NAM-NAM-NAM: o cara recebe um cartão postal sobre o tal quarto 1408 do Hotel Dolphin em New York, onde após uma pesquisada rápida ele descobre que já morreram 30 e tals pessoas. Óbvio que ele logo parte para lá para “desmascar” a bodega, e é mais óbvio ainda que ele está prestes a se foder de verde e amarelo.
Chegando lá, ele conhece o sinistrão gerente do lugar (Samuel L. Jackson), que tenta dissuadi-lo da idéia contando que não foram trinta e poucas pessoas, mas sim 56 defuntos retirados do quarto, com o pequeno detalhe: ninguém viveu mais que uma hora lá dentro. Ó-B-V-I-O que daí o cara não desiste mesmo e caí para dentro do muquifo mal-decorado, não colocando uma fé que vai se foder. E se fode.
Mal resolveu um probleminha de menor importância com o ar-condicionado e Enslin vê o relógio do quarto começar a marcar uma contagem regressiva. O tempo? Uma hora, claro. Só então ele percebe que meteu o bedelho onde não devia, mas não dá mais para voltar atrás, o quarto o tranca lá dentro e começa a zoar a mente do cara. Uma hora de bons sustos e aflição para o espectador, até o tal final falso idiota. Mas, mesmo com esse deslize, o filme consegue terminar sem decepcionar ninguém e manter o clima assustador, um programinha interessante para domingo à tarde pagando meia entrada.
Quanto ao top cinco do começo, ficou meio lógico que foi por causa do John Cusack, não?
22.11.07
Choque Cultural
Sei que é cuspir no molhado, mas não canso de repetir que adoro morar em São Paulo. Não apenas pela contemporaneidade que a cidade expressa em cada esquina, tanto no Centro Velho repleto de mendigos, com sua decadência urbana necessária que subversivamente embeleza grandes metrópoles - o lado negro da força - quanto nos Jardins e sua prosperidade exacerbada, responsável pela renovação dos costumes de quem habita esse lugar que é muito mais que trânsito e poluição.
O que me prende a São Paulo são seus espaços. A imensa quantidade de lugares bacanas que a cidade proporciona a quem corajosamente a desbrava. Desde os pequenos e aconchegantes cafés escondidos em galerias e bairros residenciais, aos mega complexos empresariais onde milhares de pessoas bem vestidas entram e saem diversas vezes ao dia, impassíveis, perdidas em seus próprios pensamentos. Cada um com seus próprios espaços secretos (ou não) espalhados pela teia de ruas e avenidas que constituem O lugar.Um desses espaços, desses que chamo de meu, secreto, mas nem tanto, é a Choque Cultural, uma galeria de arte que namora a cultura underground impregnada em cada parede que compõe São Paulo.
Nada na Choque é costumeiro ou conservador. O projeto serve como uma ponte que liga as manifestações e intervenções que surgem pela cidade ao restante da sociedade, uma espécie de plataforma para artistas vindos de outras praças, como o graffti, o design gráfico e a tatuagem, que não encontrariam espaço no circuito da arte mais certinho e apegado as regras. Lá se encontram os trabalhos de nomes como Silvana Mello (para quem não reconhece o nome, a moça também foi vocalista da banda Lava), e dos grafiteiros Speto, Highraff e Zezão (que ficou conhecido pelas suas incursões artísticas nos esgotos paulistas) e muitos outros artistas que não fazem um trabalho nem um pouco convencional.
O projeto Choque Cultural foi fundado por Mariana Martins, filha do pintor Aldemir Martins, Baixo Ribeiro, e Eduardo Saretta e surgiu como uma editora, com edições limitadas, numeradas e assinadas de posters, livros, stickers, brinquedos e outros objetos colecionáveis. Só mais tarde veio a galeria e suas primeiras exposições coletivas, como a Calaveras, a Catalixo e a Erótica que definiriam os rumos que a casa tomaria.Desde sua fundação em 2004, suas paredes estão sempre repletas de cores e formas, estilo que atraiu muitos admiradores e abriu de fato uma nova frente de negócios envolvendo a arte feita por jovens e para jovens. Em três anos de existência a Choque tornou-se a principal referência quando o assunto é arte underground, vanguarda, graffiti, tattoo, cultura pop, street art, arte urbana, low Brow, etc., motivos a transformam em um dos espaços mais criativos da cidade.
Galeria Choque Cultural
Rua João Moura, 994 – Pinheiros
Fone: (11) 3061-4051
Site: http://www.choquecultural.com.br/
19.11.07
Notícias notáveis (3)
Entre nós, esses feriados consecutivos foram uma puta sacanagem, não? Claro que não estou me referindo a ficar em casa, mas sim ao fato de ficar-em-casa-com-chuva-e-depois-ter-que-trabalhar-sexta-e-segunda. Sacanagem.O pior é que esse tempo dá uma preguiça danada. Veja só: tem álbum novo do Rogério Skylab, apareceu outra inglesinha maluca, fui assistir 1408, encontrei uma edição bacana de Santuário, do Faulkner, mas estou com nhaca demais para falar sobre isso. Aquela coisa que parece ficar engastada em nosso corpo nos dias cinzentos e chuvosos.
O que vim fazer aqui? Além de enrolar para ver se a hora passa? Só comunicar que foram finalmente confirmadas as apresentações dos nova-iorquinos do Interpol em terras canarinhas. É isso aí, pode se preparar para escutar um “Bua Notche, San Paolo” diretamente vindo das digníssimas cordas vocais do senhor Paul Banks, vocalista do grupo.
A banda atualmente divulga seu terceiro disco, “Our Love To Admire”, lançado em meados de julho e bastante elogiado pela crítica (e também por uma amiga minha fanática pelos caras). As apresentações serão em São Paulo, no dia 11 de março, Rio de Janeiro, no dia 13 e Belo Horizonte, no dia 15.
Mas, se você é fã dos menininhos de terninho e sonham estar nos anos 80, pode começar a correr. Aqui em Sampa os ingressos estão à venda no Via Funchal desde o dia 13 de novembro a preços nada módicos: R$ 100 pista, R$ 120 mezanino e R$ 160 camarote. Totalmente fora da minha realidade. Mundo injusto e cruel!
Mais informações para o show de SP: Via Funchal.
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